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Juliano Jota | Psicólogo

Muitas pessoas chegam ao consultório clínico trazendo uma queixa silenciosa, mas extremamente pesada: “Eu sei racionalmente que o perigo já passou, mas meu corpo e minha mente continuam reagindo como se eu ainda estivesse lá”.

Você tenta seguir em frente, foca no trabalho, assume responsabilidades e tenta “dar conta de tudo”. Por fora, constrói uma aparência de força e estabilidade. No entanto, no silêncio da noite, uma memória difícil, um luto inacabado ou um evento marcante do passado retornam em forma de ansiedade crônica, insônia, irritabilidade ou aquela sensação incômoda de estar sempre em alerta, esperando pelo pior.

Se você já percebeu que tentar “esquecer o passado” ou apenas conversar sobre ele não tem sido suficiente para aliviar esse peso, a neurobiologia explica o porquê. É aqui que entra o EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing), uma abordagem terapêutica revolucionária e baseada em evidências científicas que atua diretamente na raiz física da dor emocional.


O que é o EMDR e como ele surgiu?

Desenvolvido nos Estados Unidos pela Dra. Francine Shapiro na década de 1980, o EMDR (Reprocessamento e Dessensibilização por Meio de Movimentos Oculares) é uma psicoterapia reconhecida e recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o tratamento eficaz de traumas e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).

Diferente das abordagens clássicas focadas exclusivamente na fala analítica, o EMDR é focado na reorganização neurológica das memórias. Ele parte do princípio de que o nosso cérebro possui uma capacidade natural de se curar e processar experiências difíceis. Porém, quando vivemos algo muito intenso ou esmagador, esse sistema natural de cura sofre um “curto-circuito”.


O que acontece no cérebro durante um trauma?

Para entender como o EMDR cura, precisamos olhar para o funcionamento do cérebro sob estresse extremo:

  1. O Alarme que não desliga (A Amígdala): A amígdala funciona como o “detector de fumaça” do nosso cérebro. Diante de um perigo ou dor emocional intensa, ela dispara e inunda nosso corpo de hormônios do estresse, preparando-nos para lutar, fugir ou congelar. Em cérebros traumatizados, a amígdala permanece hiperativa, mantendo a pessoa em alerta constante no presente.
  2. O Arquivista que falhou (O Hipocampo): O hipocampo é o responsável por organizar e arquivar nossas memórias, colocando nelas uma “etiqueta de data” para que o cérebro entenda que aquele fato faz parte do passado. Sob estresse agudo, o hipocampo é temporariamente inibido.
  3. A Perda do Controle Lógico (O Córtex Pré-Frontal): A área racional do cérebro perde a capacidade de regular a emoção, gerando pensamentos intrusivos e reações físicas intensas.

O resultado biológico disso é que a memória traumática fica armazenada de forma disfuncional e isolada no sistema límbico, com as mesmas cores, sons, pensamentos e dores físicas do dia em que aconteceu. É por isso que um gatilho simples no presente (um tom de voz, uma cobrança excessiva ou um silêncio) faz o corpo reagir como se o trauma estivesse ocorrendo agora.


Como o EMDR ajuda: O Modelo AIP e a Estimulação Bilateral

O tratamento com EMDR apoia-se no modelo científico do Processamento Adaptativo de Informações (AIP). O objetivo da terapia é reativar o sistema de processamento de informações do próprio cérebro para que a memória “travada” seja finalmente digerida e integrada de forma saudável.

Isso é feito através da Estimulação Bilateral Sensorial (que pode ser visual, acompanhando o movimento dos dedos do terapeuta; tátil, por meio de toques alternados nas mãos; ou auditiva, com sons oscilantes em fones de ouvido).

A Teoria da Memória de Trabalho

A principal explicação científica para a eficácia do EMDR baseia-se na Teoria da Memória de Trabalho. Ao pedir que o paciente se conecte brevemente com a memória difícil e, ao mesmo tempo, realize o rastreamento do estímulo bilateral (uma tarefa de dupla atenção), nós sobrecarregamos temporariamente a capacidade da memória de trabalho do cérebro.

Essa sobrecarga reduz drasticamente a intensidade emocional e a vividez daquela lembrança. Com a carga de medo neutralizada, o cérebro finalmente consegue reprocessar e re-armazenar aquela informação em redes neurais de memória saudáveis e adaptativas. O fato ocorrido não é apagado (não se trata de amnésia), mas ele perde o seu “veneno” emocional. Você passa a lembrar do ocorrido apenas como um fato histórico da sua vida, e não mais como uma dor ativa.


Por que “apenas conversar” às vezes não basta? (A Abordagem Bottom-Up)

Muitas terapias tradicionais utilizam um caminho conhecido como Top-Down (de cima para baixo), onde tentamos usar a nossa mente racional e lógica (córtex pré-frontal) para convencer o nosso corpo e as nossas emoções (sistema límbico) de que estamos seguros.

Embora útil, essa abordagem esbarra em um limite físico: em momentos de estresse ou gatilhos severos, o cortex pré-frontal é desativado. É por isso que você pode “saber racionalmente” que está seguro, mas ainda assim tremer, ter taquicardia ou sentir pânico.

O EMDR atua na direção oposta: é uma abordagem Bottom-Up (de baixo para cima). Ele trabalha primeiro reorganizando o sistema nervoso, as sensações físicas e a resposta emocional límbica profunda. Uma vez que o corpo se acalma e a memória é digerida, o córtex pré-frontal retoma o controle de forma natural, permitindo que novos pensamentos de segurança, valor pessoal e sentido de vida floresçam espontaneamente.


Método Sentido: Tratando a raiz e reconstruindo o porquê

No meu trabalho clínico de 10 anos, percebi que apenas aliviar a dor do trauma com o EMDR não é o passo final. Depois que limpamos os ruídos e feridas do passado, abre-se um espaço vazio que precisa ser preenchido.

Por isso, integrei o EMDR dentro de um método próprio, o Método Sentido, que une três grandes pilares:

  1. EMDR: Para tratar a raiz, reprocessando as memórias difíceis e dores profundas do passado.
  2. Neurociência Aplicada: Para organizar os seus padrões comportamentais diários e sustentar mudanças concretas na sua rotina.
  3. Logoterapia (Análise Existencial): Para guiar você na reconstrução da sua jornada, reconectando-o aos seus valores fundamentais e ajudando-o a encontrar o seu verdadeiro propósito e sentido de vida.

Cuidar da mente não é sobre conselhos genéricos ou fórmulas prontas. É um processo sério, discreto, estruturado e baseado na ciência do seu cérebro.


Dê o primeiro passo

Se você se cansou de tentar carregar tudo sozinho e percebe que as marcas do passado estão adoecendo a sua energia no presente, saiba que é possível voltar a viver com leveza e propósito.

O nosso processo terapêutico começa sempre com uma Sessão de Avaliação Inicial. É um primeiro encontro individual de 50 minutos para entendermos juntos a raiz da sua exaustão e avaliarmos, sem compromisso de continuidade, o melhor plano clínico para o seu momento de vida.

Ofereço atendimento em duas modalidades:

  • Presencial: Em Rio do Sul (SC), no moderno espaço do Almanara Medical Center (Rua Euclides da Cunha, 87, sala 309).
  • Online: De forma totalmente segura e sigilosa, de onde você estiver.

A mudança real começa com uma decisão.

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